Psicologia da Tecelagem

A Psicologia da Tecelagem é uma nova abordagem no campo dos estudos psicológicos e das teorias psicológicas (e filosóficos) que entende o homem como um ser que está em constante estado de construção e de produção, pois o ser humano vive em uma dinâmica de contínuos movimentos interiores (psíquicos) e externos (físicos).

PSICOLOGIA DA TECELAGEM (ou Psicologia Reconstrutiva)

A Psicologia da Tecelagem é uma nova abordagem no campo dos estudos psicológicos e das teorias psicológicas (e filosóficos) que entende o homem como um ser que está em constante estado de construção e de produção, pois o ser humano vive em uma dinâmica de contínuos movimentos interiores (psíquicos) e externos (físicos). [u1] 

Para a Psicologia da Tecelagem, o homem é visto como produtor consciente e inconsciente de conteúdos psíquicos, pois ele produz esses conteúdos voluntariamente e involuntariamente. Visto por um outro prisma semelhante, o homem constrói e é construído, pois ele leva conteúdos de modo consciente e voluntário à sua vida psicológica, como também inconscientemente e involuntariamente conteúdos são lançados em sua vida psíquica ou são produzidos pela própria dinâmica independente psíquica, ou seja, pela dinâmica psíquica que não depende da vontade humana.

O termo Tecelagem (de Psicologia da Tecelagem) indica um processo, assim como a tecelagem é: a construção (ou produção) do tecido. O tecer é uma ação que propõe união e continuidade. A Psicologia da Tecelagem enxerga a vida humana como esse contínuo tecer. [u2] 

A Psicologia da Tecelagem tem como instrumento principal de tratamento a palavra, ou seja, o texto falado ou em outras modalidades de expressões dos sujeitos, como expressões faciais e corporais. [u3] 

O tratamento clínico com essa abordagem propõe análises e ajustes desse processo de tecelagem que vive o ser humano, ou seja, o processo de construção e produção psíquica. [u4] 

Na Psicologia da Tecelagem, as produções de textos falados são entendidas como parte muito importante de tecelagem (de construção e de produção), por isso, todas as palavras ditas e suas entonações são muito importantes.

Na Psicologia da Tecelagem, as perguntas norteadoras que o terapeuta deve se fazer constantemente são: O que o indivíduo está dizendo? e/ou O que o indivíduo está querendo dizer? Perguntas diretas e indiretas podem serem feitas para descobrir a resposta dessas perguntas norteadoras. O objetivo dessa investigação através das perguntas norteadoras é descobrir os pontos de estagnação na vida dos sujeitos, pontos esses que estão no campo emocional e afetivo. Mais à frente, falaremos sobre as perguntas mestras, estas são perguntas usadas nas novas situações que vão surgindo.

A Psicologia da Tecelagem entende o homem como um ser que está em constante estado de mudanças, mesmo que suas atitudes pareçam serem as mesmas. Mas pode existir pontos, espaços na vida psíquica, que necessitam serem trabalhadas, pois encontram-se em estado de estagnação, como apontava Freud, S. (1905) nos pontos de fixação do desenvolvimento psicossexual, porém para a Psicologia da Tecelagem esses pontos de estagnação podem ocorrer em todas as fases da vida, desde o útero materno até o último instante de vida. Esses pontos de estagnação são sinalizados com os sintomas aparentes e os não aparentes, estes últimos são identificados pela fala do sujeito, ou seja, os textos falados.

A Psicologia da Tecelagem trabalha com um olhar atento as subjetividades dos sujeitos, as entre linhas do texto, mas trabalha também com a objetividade, dando a esta um grande valor, pois tudo é construção e produção.

No campo investigativo da Psicologia da Tecelagem, o modo como o sujeito se vê no passado é de muita importância, mas o modo como o sujeito se vê no presente é ainda mais importante, pois é o olhar do sujeito do presente que poderá transformar (ressignificar) o sujeito do passado. A projeção do olhar para o futuro também é muito importante, pois diz muito sobre quem é o sujeito do presente.

As perguntas: Quem é você? Quem foi você? E Quem será você? São as perguntas mestras. Diante cada nova situação, sendo que cada encontro entre terapeuta e paciente é uma nova situação, o sujeito é convidado a responder essas perguntas. O objetivo é equilibrar o seu eu interior, humanizando o sujeito. Quanto mais humano for o eu interior do indivíduo, mais ele será equilibrado psiquicamente falando.


 [u1]Ao adentrar o campo da psicologia em um tom filosófico não estamos anulando o caminho científico que esta abordagem pretende percorrer. Mas a necessidade de se identificar também como abordagem filosófica deve-se ao fato de não termos ainda instrumentos científicos que possam validar ou desvalidar o tom metafórico dessa nova abordagem psicológica. Pois o psiquismo e seu funcionamento é algo que ainda está em caminho de investigação. E a Psicologia da Tecelagem pretende ajudar também nessa questão.

 [u2]Mesmo que metafórico, o sentido de tecer indica um resumo sobre o complexo processo que o ser humano vive nas dimensões internas e externa. As relações que cada indivíduo vive consigo e com o outro vai formando um todo formado por experiências que são submetidas à vida psíquica de modo geral. E esta tem sua dinâmica de funcionamento. Essa dinâmica pode ser peculiar em cada indivíduo, mas acreditamos em um mapa de funcionamento, como vem sendo proposto pelas neurociências.

 [u3]Ter a palavra como instrumento de tratar o outro, ou seja, a palavra do outro como meio para tratá-lo é uma forma complexa de tratamento, pois falamos não somente pela boca, mas com o corpo (nossas reações e ações). A palavra é reveladora. E segui-la é desafiador. A Psicanálise é um aparato nesta questão, mas a Psicologia da Tecelagem propõe o ampliamento do espaço temporal de análise e propõe o uso da voluntariedade (do consciente) como meio de análise. O seja, o paciente pode tecer conscientemente, mas o inconsciente poderá ser capitado pelo terapeuta da Psicologia da Tecelagem. Isso sem desvalidar as intenções conscientes em sua totalidade.

 [u4]Quando falamos em ajustes, não significa seguir um padrão comum de ser ou comportar-se. Significa trazer ao paciente um estado de bem-estar consigo, com os outros e com o mundo. Contudo, quando o falamos em ajustes estamos falando em equilíbrio humano e isso leva em questão a cultura do indivíduo. Identificar os desajustes é uma ação conjunta (terapeuta e paciente), mas as resoluções dos desajustes é um caminho onde os passos são dados pelo paciente. O terapeuta é apenas um suporte. Porém o terapeuta não é neutro, pois usa recursos próprios desta abordagem (Perguntas Norteadoras, Perguntas Mestras, devolutivas e metas [as metas é uma ação tomada principalmente pelo paciente, mas dependendo do caso o terapeuta poderá dirigir esse momento pelo tempo necessário]) para ajudar o paciente.